Em qualquer tipo de trabalho impresso, sempre há uma preocupação com o design gráfico. Afinal, nada adianta um bom conteúdo se não há uma ordenação e valorização das informações apresentadas. O design gráfico tem evoluído junto com as novas ferramentas de criação. Há 30 anos, quando os computadores não tinham interface gráfica e praticamente se resumiam ao uso corporativo e acadêmico, os processos de desenvolvimento gráfico pareciam algo inimaginável para os designers de hoje. Mesmo assim, existiam técnicas e ferramentas que só foram substituídas no início dos anos 1990. E imagine a 50, 60 anos atrás quando tudo era feito à mão, no diagrama?
Mas, mesmo naquela época, era preciso criatividade para valorizar uma peça. Um marco do design gráfico, dos anos 1950 e 60, foram as capas de discos criadas pelo selo de jazz, Blue Note. Se hoje desenhar uma capa de CD é algo que pode ser feito em poucas horas, com o uso de softwares de edição de imagens, naquela época era preciso ir além.
Os recursos técnicos eram escassos e praticamente se resumiam a fotografias e gravuras. Mesmo assim, são peças que até hoje mostram que bom gosto é o principal ingrediente para o design gráfico. Tanto, que as capas foram catalogadas no livro “Blue Note: The Album Cover Art”.
Um exemplo de inventividade é o projeto gráfico do álbum do saxofonista Sonny Clark, de 1957, que ilustra esse artigo. Batizado de “Sonny Clark: Disque S for Sonny”, a arte da capa, assinada por Reid Miles, mostra que não era preciso um computador para se criar uma peça de qualidade. Uma foto com uma pequena intervenção era suficiente para se chegar a um bom design gráfico.
Outro exemplo é capa de excelente “Something Else”, do também saxofonista Cannonball Adderley, gravado em 1958. Sem nenhum tipo de imagem, o design gráfico de seu álbum é composto apenas pela ordenação tipográfica, com o nome do disco, do autor e da banda que o acompanha. E que banda…
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